Brasília

O Congresso Nacional não é um daqueles destinos imperdíveis que a gente encontra na listinha de quem curte sol e aventura. Mas eis que Brasília surpreende, e para quem curte história, arte e tenta entender como as coisas acontecem no país que moram, tai um programa bom de se fazer. E assim, não só fomos como gostamos de conhecer o Congresso Nacional, e o que a gente viu, compartilha neste post.

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Vista do Congresso Nacional do seu Anexo

Como funciona a visita ao Congresso Nacional

As visitas ao Congresso Nacional são guiadas, e podem ou não ser agendadas. Para o agendamento, basta entrar na página do Congresso e conferir se para o dia e devido a quantidade de pessoas que vai, é necessário tal passo. Já para a visita sem o agendamento, essa se restringe às segundas e sextas-feiras, finais de semana e feriados, bastando chegar ao Congresso e no balcão da recepção falar o motivo da visita. Na hora, um cadastro pequeno é preenchido e és encaixado na próxima turma com vagas.

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Um olhar do Congresso para a Explanada dos Ministérios

Fomos sem agendar, numa segunda pela manhã. Havia lido que as visitas saiam de hora em hora, e buscamos chegar lá perto de um horário cheio (no nosso caso, às 11 horas). Enquanto aguardávamos o nosso horário, apreciamos uma exposição temporária que havia ali, sobre a cultura árabe. Embora não fosse muito grande, achei interessante o cuidado de aproveitar o espaço do salão para exposições itinerantes.

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Exposição Temporária no Congresso sobre o mundo árabe

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Exposição de curta duração no Congresso

Sobre o que vestir

De acordo com o próprio site do Congresso Nacional, há instruções sobre as roupas para se entrar ali. São elas:

 

Em dias úteis, é proibida a entrada de pessoas vestindo bermudas, shorts, camisas sem mangas, minissaias e chinelos. Essas restrições não se aplicam a crianças de até 12 anos de idade.

Recomenda-se calça comprida, camisa com manga, vestido ou saia na altura do joelho.

Em algumas circunstâncias, como em sessões solenes, ou locais como a Tribuna de Honra do Plenário do Senado ou o Salão Verde da Câmara, é exigido dos homens o uso de terno e gravata. Em caso de dúvida, entre em contato.

 

Logo, para este passeio, uma roupa um pouco mais formal. Manu foi de bermuda e uma blusa de manga comprida (estava em torno de 18°C) e eu de bermuda social e blusa de manga, e não tivemos problema. O marido, estava de calça e um blazer.

Acho que para o caso das mulheres, olham mais se é curto do que outro fator. E como lá a gente anda bem, visto que é a visita toda praticamente caminhando, indico sapatos confortáveis.

Quando ir  a Visita ao Congresso Nacional

Exceto as terças e quartas, dias de sessão nas plenárias do Congresso, a visita é permitida. Nas quintas, caso haja sessão durante a visita, e de acordo com o tipo de sessão, não chega-se a conhecer as plenárias. Devido a estes fatos, diria que os melhores dias para visitar o Congresso Nacional é de sexta a segunda.

Fomos numa segunda-feira, e conseguimos visitar o local na integra. Foi possível fazer toda a visita guiada com tempo para perguntas. Tanto para as obras de arte ali expostas quanto sobre o funcionamento das casas dos dias de pico.

O horário de visitação é de 8:30 às 17:30, sendo que o primeiro grupo sai às 9 hs. A visita dura cerca de 60 minutos, e como já relatado acima, ela é praticamente toda andando pelos corredores e salas do Congresso, que é bem mais amplo do que podemos imaginar.

O Congresso Nacional

Um dos cartões postais, e porque não, motivo da existência de Brasília, o Congresso Nacional é um projeto de Niemeyer, sendo formado por edifício horizontal e duas cúpulas. As cúpulas são as plenárias da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, também conhecidas como ‘prato cheio’ (Câmara) e ‘prato vazio’ (Senado). Destaca-se aqui que o Congresso Nacional foi tombado em 2007 pelo IPHAN, devido a importância da arquitetura do mesmo para o Brasil.

Estas expressões não conheci na visita guiada, mas sim em um passeio por Brasília com amigos. Segundo eles, a Câmara, Prato-cheio, seria por ter mais pessoas ali, e por isso, virada pra cima. Também pode ser por ter mais representantes da população. Já o Senado, Prato-vazio, seria pela reduzida quantidade de representantes.

A Visita Guiada

A visita começa pelo Senado, na sala destinada a entrevistas. Depois, somos levados ao Salão Verde (e aí, a dica é olhar o piso), que já é a Câmara dos Deputados. Tanto o Senado quanto a Câmara são intensamente harmonizadas com obras de arte, que vão desde pinturas a painéis, de nomes como Di Cavalcanti e Athos Bulcão.

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Nada como uma selfie com o papai na sala de entrevistas – Congresso Nacional – Brasília/DF

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Maquete dos prédios que compõem o congresso Nacional

Outra exposição temporário que há no Congresso Nacional são a de presentes que os representantes do Governo Brasileiro ganharam em viagens oficiais. Estas são trocadas de tempos em tempos, de forma que todos sejam expostos ao menos uma vez. Quando fomos, estavam ali expostos presentes recebidos de países da Ásia, como cerâmicas e peças em ouro.

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Dos presentes recebidos pelo Governo Brasileiro das mais diversas nacionalidades

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Painel Araguaia, de Marianne Piretti – Congresso Nacional – Brasília/DF

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Alegoria de Brasília, um painel de Di Cavalcanti, para o Salão Verde da Câmara dos Deputados

Muitas das obras de arte expostas ali foram criadas junto com Brasília, ou para algum prédio em especial da cidade e até mesmo para o Congresso Nacional, como o caso da escultura do anjo que tem a mesma inspiração que os da Catedral de Brasília e o painel de Athos Bulcão, feito sob encomenda para o Congresso, quando de sua expansão.

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Escultura de Bronze de Fragmento de Anjo do artista Alfredo Ceschiatti

Uma das paradinhas obrigatórias da visita é pelas bandeiras dos Estados que formam o Brasil. Não resistimos e aproveitamos para tirar uma foto com a bandeira que para nós é a mais linda, a do Espírito Santo.

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As Bandeiras que formam o Brasil!

Um pouco de história

E para quem acha que o Congresso não carrega nada de sua vida antes de Brasília, ledo engano. Há um local destinado as peças de quando ainda a capital era no Rio de Janeiro. Ali, é possível ver como era a organização aquela época e também é explicado aos visitantes o porque das sessões se concentrarem nas terças, quartas e quintas, já que antes não havia como se deslocar para outros estados da federação em menos de um dia, visto a oferta de voos e tempos de deslocamentos pelas estradas.

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Das relíquias do Congresso Nacional – Brasília/DF

O Plenário Ulysses Guimarães – Câmara dos Deputados

Na Câmara dos Deputados também é possível ver a arte tanto na arquitetura do local quando no painel de Athos Bulcão que embeleza a sala. Nesta parte, a visita faz uma parada de cerca de 5 minutos, e nos é explicado como funciona a Câmara, que não há cadeiras para todos os deputados e como eles se organizam nas votações. Não é permitido entrar na plenária além da parte para visitantes.

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Painel Esmaltado de Athos Bulcão na Câmara dos Deputados – Congresso Nacional – Brasília/DF

A Plenária do Senado Federal

Outro lugar que também paramos cerca de 5 minutos é na plenária do Senado Federal. Ali, além da explicação das obra de arte, inclusive do painel do teto do Senado, nos é explicado o funcionamento da casa, como as imagens do Congresso, Catedral de Brasília e Bandeira do Brasil são feitas e nos é dado um minutinho para fotos. A visita aqui também fica restrita a parte destinada aos não integrantes desta casa.

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O Senado Federal e seus painéis

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Teto em Placas Metálicas do Senado Federal – Artista Athos Bulcão

O Anexo

Embora não seja parte integrante da visita, o guia que nos apresentou o Congresso Nacional deu a dica ao grupo de irem ao Anexo do Congresso, onde há um terrário de B00urle Marx, restaurantes e também umas janelas com vista privilegiada para o prédio principal. Ele não nos acompanhou neste trecho, mas indicou qual caminho deveríamos seguir e foi fácil chegar até ali.

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Terrário do Anexo ao Congresso Nacional – Brasília/DF

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Na janelinha do Anexo só observando o Congresso

Logo, se o seu guia não der essa dica, aconselho perguntar. Caso opte, tem a opção de almoçar por ali (e um passarinho verde me contou que tem ali uma torta de abacaxi que é imperdível). Também tem a opção de não visitar o Congresso e ir apenas no Anexo, para conhecer esse espaço.

Após a visita, e antes de irmos ao Anexo, a gente ganha cartões postais, e dali pode-se enviar sem custo para qualquer lugar do Brasil. Manu também ganhou revistinhas infantis explicando o que é o Congresso Nacional e as Casas que ali existem, atraindo assim ainda mais a atenção dela.

Nossa Percepção

Talvez por não ter expectativa alguma sobre essa visita, ela me surpreendeu muito. Não podia sequer imaginar que haveria tantas obras de arte e tanta riqueza nos detalhes do Congresso Nacional.

A visita, embora seja andando em 85% do tempo, não é cansativa. Pegamos um guia que contava todos os detalhes, e sempre explicava alguma curiosidade dos lugares, além de fazer a pegada com algum fato histórico. Ele só não dava tempo para muitas perguntas, mas pudera, a visita cabe justinha nos 60 minutos aos quais é destinada.

Manu curtiu bem a visita, embora não faça noção de que seja um deputado, senador ou sequer como funciona ali. Isso talvez seja devido as obras de arte, ao fato dela curtir muito visitas a Museus e ao fato de termos deixado um celular na mão dela, para ela ir fotografando o que achava mais interessante. Ela também perguntou quando tinha dúvidas, e a parte que mais gostou foi os presentes que o Brasil recebeu, o painel do Di Cavalcanti e a janelinha do Anexo.

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Será que ela curtiu a visita?

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